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Simples, Presumido ou Real: a diferença explicada em desenho.

Escolher o regime errado é o erro mais caro que uma empresa pequena comete — e o mais silencioso, porque a conta chega diluída em doze guias por ano. Esta página mostra como cada um calcula o imposto.

Em resumo

  • Simples Nacional — uma guia só, alíquota que sobe com o faturamento. Limite de R$ 4,8 milhões por ano.
  • Lucro Presumido — IRPJ e CSLL incidem sobre uma margem presumida em lei, mesmo que você tenha lucrado menos. PIS e COFINS são cumulativos, sem crédito.
  • Lucro Real — IRPJ e CSLL incidem sobre o lucro efetivamente apurado; PIS e COFINS passam a ser não cumulativos, com crédito. Obrigatório acima de R$ 78 milhões e para algumas atividades.
  • O regime define como se calculam IRPJ, CSLL, PIS e COFINS. ICMS, ISS, IPI e INSS sobre a folha continuam devidos, com regras próprias — inclusive quando não há lucro.
  • Não existe regime "melhor". Existe o melhor para a sua margem, a sua folha e o seu tipo de cliente.

01 — Árvore de decisão

Quatro perguntas separam a maior parte dos casos.

Não substitui a simulação — mas mostra por onde o raciocínio começa.

1
Você faturou mais de R$ 4,8 milhões nos últimos 12 meses?
SimSimples está fora. A disputa é entre Presumido e Real — vá para a pergunta 3.
NãoSimples continua na mesa. Siga para a pergunta 2.
2
A sua atividade é de serviço e a folha de pagamento pesa pouco?
Folha baixaCuidado: o Fator R pode jogar você no Anexo V, que começa em 15,5%. Simular é obrigatório.
Folha relevanteFator R ≥ 28% leva ao Anexo III, que começa em 6%. Simples tende a vencer.
3
A sua margem de lucro real é maior ou menor que a margem presumida em lei?
Margem maior que a presumidaPresumido tende a compensar: você é tributado sobre uma margem menor do que a que realmente teve.
Margem menor, ou prejuízoLucro Real tende a compensar: sem lucro, não há IRPJ nem CSLL a pagar.
4
Você tem muito custo com nota (insumo, energia, aluguel PJ, frete)?
SimNo Lucro Real, PIS e COFINS não-cumulativos geram crédito sobre esses custos. Pode virar o jogo.
Não, quase tudo é mão de obraSem crédito para aproveitar, a alíquota de 9,25% do Real costuma pesar mais que os 3,65% do Presumido.

Prazo que não volta

A opção pelo Simples Nacional só pode ser feita em janeiro, e vale para o ano inteiro. Presumido e Real ficam definidos pelo primeiro recolhimento do ano. Quem descobre em julho que escolheu errado convive com o erro até dezembro.

02 — Lado a lado

Como cada regime chega ao valor do imposto.

Mesma empresa, três lógicas de cálculo completamente diferentes.

Regime não é a conta inteira

A escolha do regime governa IRPJ, CSLL, PIS e COFINS. Ela não desliga ICMS, ISS, IPI, INSS sobre a folha, FGTS, contribuição sindical patronal nem taxas municipais. Empresa no Lucro Real com prejuízo deixa de pagar IRPJ e CSLL, mas continua recolhendo tudo o mais — é por isso que "não tive lucro" nunca significa "não tenho imposto a pagar".

Simples NacionalLucro PresumidoLucro Real
Limite de faturamentoAté R$ 4,8 mi/anoAté R$ 78 mi/anoSem limite
Base de cálculoReceita bruta dos últimos 12 mesesMargem presumida em lei sobre a receitaLucro contábil ajustado
Se a empresa tem prejuízoPaga assim mesmoPaga assim mesmoNão paga IRPJ nem CSLL — os demais tributos continuam devidos
IRPJDentro da guia única15% sobre 8% ou 32% da receita15% sobre o lucro real
Adicional de IRPJNão há10% acima de R$ 20 mil/mês10% acima de R$ 20 mil/mês
CSLLDentro da guia única9% sobre 12% ou 32% da receita9% sobre o lucro real
PIS e COFINSDentro da guia única3,65% cumulativo, sem crédito9,25% não-cumulativo, com crédito
Folha (INSS patronal)Incluído, salvo Anexo IV~20% + terceiros~20% + terceiros
ICMS, ISS e IPIRecolhidos dentro da guia, respeitado o sublimitePor fora, pelas regras normaisPor fora, pelas regras normais
Número de guias1 por mêsVáriasVárias
Obrigações acessóriasPoucasMédiasMuitas
Costuma compensar quando…Faturamento baixo ou médio e folha relevanteMargem real alta e pouco custo com notaMargem baixa, prejuízo ou muito crédito de insumo

03 — Anexos do Simples

Dentro do Simples, o anexo muda tudo.

Alíquota da primeira faixa, que vale até R$ 180 mil de receita nos últimos 12 meses. A partir daí ela sobe progressivamente.

Anexo I — Comércio4,00%
Anexo II — Indústria4,50%
Anexo III — Serviços6,00%
Anexo IV — Serviços*4,50%
Anexo V — Serviços15,50%

* No Anexo IV o INSS patronal não está incluído na guia — é recolhido à parte. A alíquota menor não significa custo menor.

O CÁLCULO QUE DEFINE O SEU ANEXO

Fator R

Divide a folha de pagamento dos últimos 12 meses (incluindo pró-labore e FGTS) pela receita bruta do mesmo período.

FATOR R = FOLHA 12 MESES ÷ RECEITA 12 MESES
≥ 28%  →  ANEXO III  (começa em 6,0%)
< 28%  →  ANEXO V   (começa em 15,5%)
O QUE FAZER COM ISSO

Ele é gerenciável

O Fator R é recalculado todo mês. Ajustar o pró-labore dos sócios, formalizar quem já trabalha na empresa ou antecipar o 13º pode mudar o anexo — e a alíquota — de forma perfeitamente legal.

É por isso que acompanhamos esse número mensalmente para quem está na faixa de risco, em vez de descobrir em dezembro.

Sobre os valores desta página

As alíquotas mostradas são as da primeira faixa de cada anexo e servem para comparação. O valor efetivo do seu DAS depende da faixa de receita e da parcela a deduzir da tabela. A simulação real usamos com os seus números.

04 — Dúvidas

O que perguntam depois de ver essa comparação.

Posso mudar de regime no meio do ano?

Como regra, não. A opção pelo Simples é feita em janeiro e vale para o ano-calendário inteiro. Presumido e Real ficam definidos pelo primeiro recolhimento do ano. Há exceções para empresas recém-abertas, que têm prazo próprio a partir do deferimento das inscrições.

Simples é sempre mais barato?

Não. Para prestadores de serviço com folha pequena, o Anexo V pode custar mais que o Lucro Presumido. Para empresas com margem apertada, o Lucro Real pode ser bem mais barato que os dois. A ideia de que "Simples é sempre melhor" já custou muito dinheiro a muita gente.

O que é sublimite estadual?

É um teto separado, de R$ 3,6 milhões, aplicado ao recolhimento de ICMS e ISS dentro do Simples. Estados de menor PIB costumam adotá-lo. Ultrapassando o sublimite, a empresa continua no Simples para os tributos federais, mas passa a recolher ICMS e ISS por fora, pelas regras normais.

Vale a pena abrir uma segunda empresa para não sair do Simples?

Depende, e é um terreno com risco. A Receita autua o chamado desmembramento artificial quando as empresas têm mesma atividade, mesmo endereço, mesmos clientes e mesma administração. Existem estruturas legítimas de segregação, mas elas precisam ter substância real — não só CNPJ novo.

A Reforma Tributária acaba com o Simples Nacional?

Não. O Simples foi mantido, com a possibilidade de a empresa optar por recolher CBS e IBS por fora da guia única quando isso for vantajoso — tipicamente para quem vende para outras empresas e precisa gerar crédito. É uma decisão nova que passa a fazer parte do planejamento a partir de 2027.

Detalhamos o cronograma em Reforma Tributária.

Quer ver a conta com os seus números?

Com faturamento, folha e margem em mãos, montamos a comparação dos três regimes para a sua empresa e mostramos a diferença em reais por ano.